"Chama Azul": PF prende 6 acusados de cartelizar preços do gás
Quinta, 11 de Março de 2010 20h52
Por Juliana Bandeira e Isabella Araújo
R$ 7 milhões. Este é o prejuízo aproximado causado aos bolsos de consumidores de quatro municípios paraibanos, vítimas de um cartel envolvendo pelo menos cinco grandes distribuidoras e três revendedoras de gás de cozinha. O esquema é responsável pelo alinhamento do preço do botijão de gás comercializado em Campina Grande, Sapé, Mamanguape e Guarabira.
Operação "Chama Azul" combate cartel na venda de gás de cozinha na PB
Telefonemas, e-mails, agendas, e documentos como planilhas de custo, listas de revendedoras e de pontos de venda, recibos, tabelas e pesquisas de preços são apontados como indicadores do cartel. Todo material foi apreendido nesta quinta-feira, dia 11, durante a Operação Chama Azul deflagrada pela Polícia Federal. Somente na Paraíba foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 6 mandados de prisão nas cidades de João Pessoa, Campina Grande e Guarabira. Em todo país, entretanto, o total foi de 28 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão.
A operação efetuou a prisão de três pessoas em Fortaleza; mais três em Recife; uma outra em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo; mais uma no município de Guarabira, duas na capital paraibana, e outros três acusados na Rainha da Borborema. A Polícia Federal informou que a quarta prisão programada na cidade de Campina Grande não aconteceu porque o acusado conseguiu fugir.
Os acusados detidos na Paraíba serão ouvidos na sede da Superintendência da Polícia Federal e em seguida serão encaminhados para um dos presídios do estado, ainda a ser definido. Segundo o delegado Paulo Henrique, eles permanecerão presos por cinco dias para a produção de novas provas e reinquirição. A prisão ainda poderá ser prorrogada por mais cinco dias.
Em entrevista coletiva, Sinomar Neto afirmou que tem provas da existência do alinhamento de preços nos quatros municípios paraibanos operando desde 2008, mas há indícios de que tudo ocorra há muito mais tempo; desde 2003.
“O Ministério Público foi alertado para o aumento abusivo e constante do preço do gás de cozinha em Campina Grande. O MP, por sua vez, tratou de consultar os valores da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para observar as causas dos aumentos. Para se ter uma idéia, em janeiro de 2009 o preço do botijão em Campina era, em média, de R$ 31,50. Pouco tempo depois passou para R$ 33 e atualmente já está na casa de R$ 38; um preço muito diferente do que é praticado em outras regiões do estado e do país afora”, explicou.
A ANP informou que as refinarias praticam o mesmo valor há pelo menos sete anos antes de repassar às distribuidoras, que por sua vez, repassam às revendedoras. O constante aumento verificado em Campina Grande então, não se justifica.
Os nomes dos envolvidos no esquema não foram divulgados pelas autoridades que estão à frente da Operação, mas se tratam de empresários e, principalmente, gerentes regionais das distribuidoras.
Comentários
|| MATÉRIAS RELACIONADAS

Carregando...

