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Saddam Hussein disse ao FBI que temia a ameaça do Irã

Quinta, 02 de Julho de 2009 16h05
Da Agência Efe

Antes de ser enforcado, o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein disse a um interrogador do FBI ter permitido que o mundo acreditasse que o Iraque tinha armas de destruição em massa por estar preocupado em parecer fraco diante do Irã, de acordo com relatórios de interrogatórios divulgados na quarta-feira, dia 1.

O ex-presidente do Iraque também chamou Osama Bin Laden de "fanático" e disse que não tinha qualquer acordo com a al-Qaeda, segundo reportagem publicada pelo "Washington Post" desta quinta-feira.

Saddam Hussein disse que se sentia tão vulnerável à visível ameaça que os líderes "fanáticos" em Teerã representavam que ele teria preparado buscar um "acordo de segurança com os Estados Unidos para proteger o Iraque de ameaças regionais".

O ex-presidente dos EUA George W. Bush ordenou a invasão do Iraque há seis anos, sob a justificativa de que Saddam Hussein escondia armas de destruição em massa no país, o que representava uma ameaça à segurança dos EUA. Funcionários do governo da época também afirmavam que o Iraque tinha vínculo significativo com a al-Qaeda, organização terrorista responsável pelos ataques de 11 de setembro ao World Trade Center.

O ex-presidente iraquiano, que geralmente era provocador e debochado em seus depoimentos, em certo momento reconheceu que deveria ter permitido que a Organização das Nações Unidas testemunhasse a destruição das armas iraquianas após a Guerra do Golfo, em 1991.

Os relatórios das entrevistas feitas pelo FBI - 20 interrogatórios formais e cinco conversas casuais" em 2004 - foram obtidos graças ao Ato de Liberdade de Expressão do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, um instituto de pesquisa independente. O material foi disponibilizado na quarta-feira no site da instituição.

Thomas S. Blanton, diretor dos arquivos, disse que não poderia conceber motivo de segurança que justificasse manter as conversas de Saddam com o FBI sob sigilo.

Os 20 interrogatórios formais aconteceram entre 7 de fevereiro e 1º de maio, seguidas de conversas casuais nos dias 10 de maio e 28 de junho. Pouco depois o ex-ditador foi entregue ao Iraque, onde foi enforcado em dezembro de 2006.

Os relatórios dos depoimentos formais abordam temas como a ascensão do líder ao poder, a invasão do Kuwait. As armas de destruição em massa foram comentadas apenas nas conversas casuais.

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    Foto: Arquivo/O Norte Online

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