Uma relação indefinida

Uma relação sem compromisso, um tanto inconsistente. Os jovens Aryane Thaís Carneiro de Azevedo, de 21 anos, e o estudante de Direito Luiz Paes de Araújo Neto, hoje com 25 anos, não eram namorados, não assumiram nenhum compromisso entre si, não foram apresentados aos pais um do outro. Mas o envolvimento entre os dois durou o suficiente para criar expectativas e ilusões na cabeça de Aryane e para gerar um fruto que hoje é apontado pelo Ministério Público como a causa da morte da garota: a gravidez de um filho que não havia sido planejado.

Luiz e Aryane se encontraram e tiveram um rápido relacionamento há cerca de quatro anos. A família da moça se mudou para o município de Gravatá, no Estado de Pernambuco, e as chances daquele envolvimento se transformar num namoro foram desmanchadas pela distância entre os dois. O reencontro entre eles aconteceu no início do ano passado, após ela retornar com a família para a capital paraibana.

O estudante de Direito estava namorando com outra garota quando começou a se envolver e engravidou Aryane. Uma amiga dela, que por medo de sofrer ameaças pediu para não ser identificada, contou que Thaís tinha conversado com Luiz Neto sobre a possibilidade de estar grávida e que ele reagiu de maneira tranquila à notícia, que ainda não havia sido confirmada por exame. "Ela contou a Luiz Neto que poderia estar grávida e ele afirmou que iria apoiar minha amiga, que estava feliz porque eles teriam um filhinho. No dia seguinte, mudou o discurso e tentou convencer Thaís a fazer um aborto”, revelou.

De acordo com o depoimento das amigas, Aryane estava preocupada porque ainda não sabia como iria dizer à mãe e aos irmãos que estava esperando um filho, mas não escondia a felicidade que sentia de estar esperando um filho do rapaz por quem ela era apaixonada. “Thaís estava feliz. Ela sabia que Luiz não queria assumir a criança, mas gostava dele e acreditava que eles poderiam ficar juntos”, contou uma das amigas que sabia sobre a gravidez de Aryane.

O advogado que assumiu a defesa de Luiz no início do caso, Aluísio Lucena, confirmou que seu cliente conhecia Aryane há anos, mas negou uma relação mais séria entre os dois. “Neto e Thaís só tiveram relações sexuais uma única vez, na casa dele, e usaram camisinha. Semanas depois ela o procurou para dizer que o preservativo tinha estourado, que ela estava grávida e que precisava que ele a ajudasse a comprar um remédio para abortar", alegou.

As versões sobre como Luiz e Aryane reagiram, após ela realizar um exame e confirmar que estava grávida, ainda são um mistério a ser desvendado. Cada lado atribui ao outro o pedido para que aquela gravidez fosse interrompida. Restam dúvidas sobre o que realmente aconteceu no encontro entre aquele casal, na noite de 14 de abril. Restam indícios e apenas o silêncio de um jovem, que alega não ter matado a mãe do filho que nem chegou a ter. 

Expediente
Textos: Vanessa Furtado e Priscylla Meira | Edição de conteúdo: Vanessa Furtado
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