Um lar de saudades

Desde a morte de Aryane, Hipernestre Carneiro não entra mais na casa onde vivia com a filha, com o filho e com sua mãe, avós dos meninos. Hoje, a mulher que perdeu 12 Kg em menos de seis meses, dorme à base de calmantes e vive sem um lar fixo. “Eu passo uns dias na casa da minha irmã, outros dias na casa da minha outra filha, Thalita. Não tenho mais casa, porque aquela que eu vivia trás lembranças que ainda doem muito”, contou Hipernestre.

Na residência onde Aryane morou seus últimos anos de vida, vivem hoje apenas a avó da jovem e o irmão, Thiago Henrique Carneiro, que revela chorar todos os dias com saudades de Thaís. “Eu sempre amei minhas duas irmãs, mas meu laço mais forte sempre foi com Thaís. Não tem um dia que eu não me lembre e não chore de saudades da minha irmã”, desabafou Thiago.

Os familiares de Luiz Paes também não conseguiram continuar vivendo na residência onde moravam até o ano passado, em Jaguaribe, mesmo bairro que Aryane morava. “Eles se mudaram por causa das retaliações que sofreram no início do fato. Jogaram pedras, picharam o muro da casa. Então, por uma questão de segurança da família, composta de pessoa pacatas, eles preferiram mudar de residência”, revelou o advogado Genival Veloso.

A dor que insiste pela perda da filha, Hipernestre transforma num apelo por justiça pela vida de mulheres vítimas da violência, seja nas ruas de João Pessoa ou nos tribunais de tantos outros casos de violência registrados país afora. “Arrancaram a vida de Thaís de uma forma muito cruel. Por isso eu preciso ir às ruas pedir por justiça. Nada vai trazer minha filha de volta, mas minha dor vai ser amenizada um pouco quando eu ver o monstro que fez isso com ela atrás das grades”, acredita.

Se a dor da família de Aryane não tem cura e a expectativa gira em torno da prisão do réu do processo, os familiares de Luiz Neto ainda amargam a angústia de não saber que desfecho esse caso terá. “Só um pai e uma mãe sabem o que é enfrentar uma barra dessa, sabendo que seu filho é inocente. Às vezes, os pais sofrem quando o filho erra, quando o filho é um marginal. Imaginem uma família, um pai, uma mãe, uma irmã, vendo o sofrimento de um jovem, tendo a certeza, absoluta convicção, de sua inocência”, provocou Genival Veloso.

Expediente
Textos: Vanessa Furtado e Priscylla Meira | Edição de conteúdo: Vanessa Furtado
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