Conheça o Caso
Aryane Thaís Carneiro de Azevedo, 21 anos, foi vista pela última vez na noite
de 14 de abril de 2010. A estudante saiu da casa de uma amiga, no bairro de
Jaguaribe, para se encontrar com o estudante Luiz Paes de Araújo Neto, que na
época tinha 23 anos, para conversarem sobre o filho que ela estava esperando.
Na manhã do dia seguinte, o Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop)
recebeu uma ligação informando sobre o corpo de uma jovem que havia sido
jogado às margens da BR-230, próximo ao Corpo de Bombeiros, no acesso oeste de
João Pessoa. Aryane foi encontrada morta, sem blusa, vestindo apenas uma calça jeans e uma calcinha. No bolso da calça, foi encontrado um
exame de gravidez com resultado positivo e, no pescoço da jovem, marcas que
indicavam que ela havia sido estrangulada.
O único suspeito de ter cometido o crime é Luiz Paes, pai da criança que
Aryane esperava. Porém, o estudante nega a denúncia apresentada pelo
Ministério Público e alega que após ter se encontrado com a jovem, ela teria
descido do carro dele falando com outra pessoa ao celular, que posteriormente teria entrado no
veículo de outro homem. A versão defendida por Luiz Paes durante
depoimento à delegada Ranielle Vasconcelos, foi derrubada dias depois, quando a
operadora de telefone revelou que a última ligação registrada no celular de
Aryane teria sido um telefonema para o suspeito do crime.
Aryane Thaís foi velada e enterrada na manhã do dia 16 de abril, no Cemitério
Parque das Acácias, no bairro do José Américo. O sepultamento foi acompanhado
por amigos e familiares da vítima e contou com a presença do secretário de
Estado da Segurança e da Defesa Social à época, Gustavo Gominho, que prometeu
que tomaria providências sobre o caso.
No dia 23 de abril, Luiz Paes se preparava para conceder uma entrevista
coletiva à imprensa e apresentar sua versão sobre os fatos ocorridos na noite
do dia 14 de abril, quando se encontrou com Aryane Thaís. No entanto, a entrevista não
pôde acontecer porque o estudante foi preso no momento em que se dirigia ao
local marcado com os jornalistas. Luiz Paes cumpriu 59 dias de prisão temporária e ficou detido
na carceragem da Central de Polícia de João Pessoa, onde recebeu a visita de
familiares, amigos e até de antigas namoradas.
A partir do dia em que foi preso, o estudante não quis falar sobre os detalhes
do encontro que teve com Thaís. O silêncio de Luis Paes só foi quebrado no dia
10 de dezembro, durante a quarta parte da audiência de instrução e julgamento,
que foi realizada no Fórum Criminal de João Pessoa. Diante da juíza Ana Flávia
Vasconcelos, dos advogados de defesa e acusação, dos promotores, de familiares e amigos de Aryane, de autoridades políticas e de
membros da sociedade civil, que acompanharam a sessão, Luiz Paes manteve a versão
apresentada no depoimento que prestou à delegada plantonista que atendeu a
ocorrência e reafirmou que na noite em que desapareceu, Aryane ficou chateada
porque ele teria se negado a ajudá-la a praticar um aborto.
Durante todo este ano, a mãe da jovem assassinada, Hipernestre Carneiro, se
engajou e participou de manifestações e protestos de combate a violência
contra mulheres. Acompanhou também julgamentos de réus de outros crimes
praticados contra jovens na Paraíba e em outros estados brasileiros. Durante
estes doze meses, a família de Luiz Paes preferiu manter o mesmo silencio
do estudante, que deverá ser ouvido novamente no dia 17 de maio e que, caso seja
pronunciado pelo juiz Marcos William de Oliveira, deverá ser levado a júri
popular ainda este ano.