Entrevista com Thalita Carneiro – Irmã de Aryane

Portal O Norte – Como era a sua relação com Thais?

Thalita Carneiro – Thais era cuidada pelos três. Talvez Thiago não me protegesse tanto, nem mainha, mas todos nos sentiamos obrigados a proteger Thais, por ser a caçula. Eu me sentia meio mãe dela, e daquele tipo de mãe que a gente não tem liberdade para falar aquilo que a gente quer, eu acho que eu era assim.

Portal O Norte – Você sente que ela queria te contar que estava grávida?

Thalita Carneiro – Eu acho que ela tentou insinuar. No domingo, mainha trouxe o sonar para escutar minha bebê, e ela disse “Mainha põe aqui pra ver se você escuta alguma coisa”, ai eu brinquei e disse que na barriga dela a gente só escutaria o barulho das vermes. Mas ela riu e a brincadeira acabou ali.

Com certeza, ela não teria dito a ninguém sobre a gravidez, antes de dizer a mainha. Eu não tenho dúvidas de que quando mainha chegasse de viagem ela contaria que estava grávida, até porque ela não tinha motivo para esconder. Ela era muito amada.

Portal O Norte – Como você, enquanto estudante de Direito, analisa o comportamento de Luiz Paes?

Thalita Carneiro –Eu não faço mais o curso de Direito porque lamentavelmente eu o vivi antes de terminar a faculdade. Tudo o que Luiz Paes fez, a lei permite que ele faça: a lei permite que ele silencie, que ele não crie provas contra si mesmo, que aguarde julgamento em liberdade, que certos depoimentos não sejam dados. Como pessoa, eu questiono o comportamento dele, porque se eu fosse acusada de um crime, eu tentaria de todas as formas provar minha inocência.

Portal O Norte – Como você recebeu a notícia?

Thalita Carneiro – Eu estava em casa quando comecei a receber ligações de muitas pessoas perguntando se eu a tinha visto e eu comecei a desconfiar que havia algo errado. Depois uma tia minha me ligou e contou que tinha aparecido na televisão que uma menina havia sofrido um acidente e me perguntou como era o nome dela completo.

Em seguida eu passei a ligar para familiares e amigos que disseram que não estava acontecendo nada. Pouco tempo depois meu marido chegou e eu acho que eu antecipei a noticia a ele, mas nunca achando que a respostas seria essa.

Ele estava com cara de desesperado e eu perguntei: Thais morreu? Porque eu esperava que ele me dissesse que ela sofreu um acidente, e ai eu estava no lucro. Mas ai ele respondeu que sim. As notícias sobre o que tinha acontecido e quem teria feito isso com ela me foi dada aos poucos, as pessoas tomavam cuidado porque eu estava grávida.

Portal O Norte – Como foi receber a notícia de que o suspeito era ele, uma pessoa que vocês não conheciam?

Thalita Carneiro – Surpreendente. Eu fiquei extremamente surpresa, porque era um menino que não precisava ter feito isso. Ele entende de lei, então ele sabe que hoje existe pensão alimentícia. Ele podia simplesmente ter dito que se negava a registrar a criança, porque Thais tinha uma família completa para apoiar, acolher.

Portal O Norte – Você acredita realmente que tenha sido Luiz Paes quem matou Aryane?

Thalita Carneiro – Eu não tenho dúvida nenhuma. Ele criou histórias sem fundamento para escapar. Há contradições no depoimento. Foi ele. Quem tinha motivo para matar minha irmã? Ela era uma menina boa e ninguém tinha com que se queixar dela, só uma pessoa que ia ser pai de um filho indesejado e que provavelmente podia prejudicar o futuro dele poderia ter feito isso.

Portal O Norte – A defesa tentou denegrir a imagem de Aryane?

Thalita Carneiro – Tentaram denegrir sim e esta foi a pior estratégia. Eu tenho certeza de que Luiz Paes não sabia com quem ele fez isso, ele não esperava essa dimensão, essa proporção. Por Thaís ter sido tão sigilosa com relação ao relacionamento, ele achou que ela não tinha família, que não nos importávamos com ela, mas ai ele viu que Thaís era uma pessoa extremamente querida, que tinha muitos amigos, uma família que a amava muito e que não vai parar enquanto ele não estiver pagando pelo que ele fez.

Portal O Norte – Quais as conseqüências desse crime na sua vida?

Thalita Carneiro – Eu hoje tenho uma mãe que renunciou a vida e que vive para lutar por justiça, mas se isso não acontecer eu não sei o que será dela. Eu tenho um irmão que mora sozinho, em uma casa que era de uma família, e que hoje não tem mais base.

Eu tenho uma filha de seis meses que o médico passou calmante porque teve reflexos na gravidez de coisas que eu vivi. Eu vivo 24 horas fugindo de uma verdade e é difícil cruzar com minha mãe dentro de casa e fingir que não estou vendo.

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Textos: Vanessa Furtado e Priscylla Meira | Edição de conteúdo: Vanessa Furtado
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