Entrevista com Hipernestre Carneiro

Portal O Norte – Quem era Aryane Thaís?

Hipernestre Carneiro – Entre os meus três filhos, Thaís era a mais companheira. Eu sabia que Thaís tinha 21 anos, mas para mim ela continuava uma criança. Ela me contava as coisas boas e as coisas ruins e não me dava trabalho como uma adolescente, me dava trabalho como uma criança, com essas coisas de ouvir som alto dentro de casa, bater palma, gritar, querer chamar atenção.

Portal O Norte – Porque a senhora acha que ela não falou dele nem com a família, nem com os amigos?

Hipernestre Carneiro – Eu acredito que ela omitiu porque não sentia tanta segurança nele para nos apresentar. E a ideia de esconder deve ter partido dele, porque ele não queria era aparecer.

Portal O Norte – Qual foi o último dia que a senhora viu sua filha?

Hipernestre Carneiro – Eu trabalhei durante a semana santa em fazenda Nova (PE) e consegui folgar no fim de semana e na segunda-feira. Na terça-feira, eu costumava viajar entre 4h e 5h e ela sempre me ajudava a colocar as malas no carro. Foi quando ela pediu para viajar comigo, mas eu não permiti. Hoje eu penso que ela estava querendo me contar algo e ter negado isso a ela me dói muito, mas eu tento não pensar nisso. Eu acredito que se ela tivesse viajado comigo, poderia ter acontecido um acidente, porque aquele era o momento dela partir, isso me conforta e me acalma, mas da forma como foi não. A forma como ela foi retirada dos meus braços é inadmissível.

Portal o Norte – Como a senhora recebeu a notícia?

Hipernestre Carneiro – Eu estava em Fazenda Nova (PE) trabalhando. A noite eu tive um pressentimento. Na hora eu pensei em ligar para minha mãe, porque eu realmente pensei que algo tinha acontecido com ela, mas os celulares estavam fora de área. Tomei um calmante e fui dormir.

No dia seguinte fui trabalhar e quando estava em Toritama (PE) almoçando, minha sobrinha me ligou e me disse que Thaís havia sofrido um acidente, e que eu precisava voltar. Durante todo o caminho eu pedia a Deus para que ela estivesse viva, mesmo que fosse o dia para ela partir, eu faria a doação de todos os órgãos, mas eu queria encontrar minha filha viva. Quando chegamos em João Pessoa eu queria ir direto para o Hospital de Trauma, mas meu genro pediu que eu fosse para casa. Aqui, Thalita me levou para o quarto e me disse que Taizinha tinha sido assassinada e que estava grávida.

Portal O Norte – A senhora no lugar da mãe de Luiz Paes, o defenderia?

Hipernestre Carneiro – Se o meu filho é inocente eu iria ajudar a mãe da vítima a procurar quem fez isso e iria gritar por justiça, afinal havia uma criança envolvida nisso, mas em momento nenhum pensaram nessa criança. O silêncio daquela família acabou confirmando a culpa dele.

Portal O Norte – A senhora acredita que Luiz Paes vai ser pronunciado e condenado?

Hipernestre Carneiro – Ele acabou com a paz da minha família, com meu profissionalismo porque eu não voltei mais a trabalhar, acabou com minha família. Eu ajudei a salvar tantas vidas e um monstro veio e tirou a vida da minha filha cruelmente como ele fez. É pra isso que eu vou as ruas pedir por justiça. Nada vai trazer minha Thaís de volta, mas vai amenizar um pouco a dor quando eu ver o monstro que fez isso com a minha filha atrás das grades.

Portal O Norte – o que te sustenta hoje?

Hipernestre Carneiro – Deus, os meus filhos, minha neta, que hoje representa tudo pra mim, e outras mães que também são vitimas, porque quando nós choramos juntas parece que a dor diminui e que no final de tudo a gente acaba até sorrindo.

Portal O Norte – A senhora seria capaz de perdoar?

Hipernestre Carneiro – Não. Se eu morresse hoje eu iria com esse grande pecado, o de não perdoar, mas eu não perdôo o que ele fez com a minha filha. O que eu desejo é que ele pague pelo que fez. Ele passou dois meses presos e é pra lá que ele merece voltar

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Textos: Vanessa Furtado e Priscylla Meira | Edição de conteúdo: Vanessa Furtado
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