Opinião: Lula e o lulismo
quarta-feira, 1 de setembro, 2010
A capacidade de transferência de voto conquistada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano tem poucos paralelos na história recente do Brasil. O petista caminha para eleger a sua sucessora, a ex-ministra Dilma Rousseff, e, de quebra, vem emprestando o seu prestígio para candidatos a governador e a senador pelo país afora. Uma capacidade de influenciar já atestada pelos institutos de pesquisa, que verificam os efeitos do “lulismo” em praticamente todos os estados do Brasil. Na Paraíba, apesar de o governador José Maranhão (PMDB) e o ex-prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho (PSB) integrarem as fileiras de partidos da base do presidente, o fato de Lula ter aparecido no guia eleitoral do peemedebista é apontado por institutos como o Diário Data Associados como prenúncio de crescimento governista na corrida eleitoral. Os ingredientes para isso incluem alta popularidade do presidente, graças à aprovação de mais de 90% da população, e a ausência de escândalos de grandes proporções no governo desde 2005.
Não existe na história brasileira outro político que tenha conseguido se manter bem na fita por tanto tempo, apesar de a história recente mostrar casos em que o presidente conquistou a popularidade necessária para influir nas eleições estaduais. Fernando Henrique (1995 a 2002) foi um exemplo disso no primeiro mandato. Mas o maior fenômeno mesmo ocorreu em 1986, quando o então presidente José Sarney (PMDB), embalado pela popularidade do Plano Cruzado (que congelou a inflação), conseguiu eleger 22 governadores do PMDB. Diga-se de passagem que, na época, existiam apenas 23 estados no Brasil. Apesar disso, a popularidade do então presidente durou só até o pós eleição, quando ele autorizou mudanças na política econômica e viu sua popularidade jogada na lama, ajudada por uma corrupção desmedida no governo. Já Lula pode se gabar de se manter com a popularidade alta, mesmo na época dos escândalos do “Mensação” e dos “Vampiros”. É verdadeiramente um fenômeno.
Nuclear
O deputado estadual Francisco de Assis Quintans (foto) tem brigado para que a Paraíba entre na disputa por uma das três usinas nucleares previstas para o Nordeste. O governador José Maranhão (PMDB) já disse que não quer.
Carreatas
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) mandou um recadinho aos candidatos acostumados a promover carreatas na Paraíba: as leis de trânsito valem também para o período eleitoral. Por isso, aguardem as multas#
Ficha Limpa I
O projeto da Ficha Limpa, de autoria do deputado Raniery Paulino (PMDB), foi aprovado ontem por unanimidade na Assembleia Legislativa. Agora só falta a sanção de José Maranhão. Quando isso acontecer, vão ocorrer algumas baixas na equipe de governo.
Ficha Limpa II
E por falar em Ficha Limpa, uma enquete disponível no “Blog do Suetoni” revela que a maioria dos leitores da publicação é a favor da validade da lei já para este ano. Foram 67% dos votos a favor e apenas 33% contra.
Bom Bril
Não falta criatividade entre os postulantes no guia eleitoral. Ontem, o candidato do PRB a deputado federal, Dr. Java, adotou o slogan da Bom Bril. Como o número dele é 1001, o postulante se apresenta como o candidato com “1001 utilidades”. Será?
Briga petista
O deputado federal Luiz Couto (PT) conseguiu na Justiça Eleitoral o direito de participar do guia sem exibir a logomarca de José Maranhão. Mas não adiantou: na inserção divulgada ontem, a imagem foi mantida. Couto vai protestar.
Eletrônico
O Tribunal de Contas da União implanta, a partir de amanhã o processo eletrônico de controle externo. A Secretaria de Controle Externo do TCU na Paraíba será uma das primeiras unidades do órgão a instalar a solução tecnológica.
Do blog do Suetoni, publicado no jornal O Norte.