Desde o início da corrida eleitoral, pelo menos 68 candidatos desistiram da disputa dos cargos eletivos na Paraíba. E pelos motivos mais diversos. Alguns chegaram à conclusão de que não valia a pena disputar votos sem chances reais de vitória. Outros esperavam apoios financeiros e políticos que não vieram. E ainda há os que desistiram em decorrência de impedimentos jurídicos propriamente ditos. Neste rol, estão alguns dos que tiveram o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), todos alcançados pelos efeitos da Lei da Ficha Limpa. O problema, para eles, é que há uma espécie de consenso em torno da punição de quem possui condenação judicial. Uma situação que tem alimentado os boatos de que o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) também estaria disposto a renunciar à disputa do Senado, abrindo espaço para que a mulher dele, Sílvia Cunha Lima, entrasse na corrida eleitoral sem risco de perder o mandato.
A operação, negada veementemente pelo postulante, não seria novidade na Paraíba. Ela foi usada como solução na eleição suplementar ocorrida em 2005, em Malta, quando Ajácio Wanderley substituiu o irmão, Maurício Wanderley, cassado sob acusação de compra de votos nas eleições de 2004. A troca ocorreu na véspera da disputa. Na época, Maurício corria o risco de ser cassado novamente. Em exemplos mais recentes, no pleito deste ano, o deputado estadual Dr. Verissinho, com registro negado pelo TRE, desistiu da disputa e tem apostado todas as fichas na eleição da mulher, Mayenne Van. Pelas regras atuais, passado o período da inseminação das urnas, o nome do candidato não pode ser alterado, apesar de outra pessoa concorrer aos votos. O caso de Cássio é emblemático. Ele é apontado como favorito na disputa, mas corre o risco de ser cassado com base na nova Lei. O postulante, mesmo assim, nega a substituição e diz confiar na Justiça. Resta esperar o desfecho.
Mas já?
O vereador pessoense Sérgio da SAC (PRP) reassumiu a vaga na Câmara de João Pessoa, ontem, com uma série de denúncias contra a prefeitura da capital e um projeto: ser prefeito em 2016. Isso é que é projeto de longo prazo.
Troca
O candidato ao governo, Ricardo Coutinho (PSB), desabafou em entrevista recente sobre a aparição do presidente Lula no guia de José Maranhão (PMDB) e não no dele. Para o socialista, isso seria fruto do acordo para Rodrigo Soares disputar o cargo de vice.
Poluição
A Procuradoria Regional Eleitoral tem expressado sua preocupação com a poluição sonora causada pelos candidatos nas ruas de João Pessoa. O procurador Regional Eleitoral, Werton Magalhães, diz que os postulantes podem ser punidos.
Esvaziada
Entre os raros deputados que ainda frequentam a Assembleia Legislativa nesse período eleitoral, o consenso é o de que nada será votado antes das eleições. Há três semanas os parlamentares não apresentam uma única matéria. E nós pagamos a conta.
Guia
O governador e candidato à reeleição, José Maranhão, não gostou nem um pouco de ver imagens dele pedindo voto para Ricardo Coutinho (PSB) no guia do socialista. O peemedebista chamou o adversário de antiético e disse ter imagens do ex-aliado pedindo voto para ele também. “Mas não vou usá-las”.
Tropas
O juiz corregedor do Tribunal Regional Eleitoral, Carlos Neves, vai apreciar hoje o pedido de tropas federais feito pelos juízes eleitorais de Campina Grande. Caso a demanda seja acatada, ainda será necessária a aprovação do TSE.
Fraticida
O deputado estadual Luiz Couto (PT) causou surpresa ontem ao denunciar que partidários seus estariam comprando votos nas eleições deste ano. O alvo principal das acusações é o deputado estadual Jeová Campos, que disputa vaga na Câmara Federal.
Publicada no Blog do Suetoni, no Jornal O Norte desta quarta-feira