Opinião: “Palhaços, mas sinceros”
terça-feira, 28 de setembro, 2010
Em todo o Brasil, a polêmica da hora diz respeito à participação dos candidatos palhaços nas eleições. Tiririca, o da televisão, como ele costuma se apresentar no guia eleitoral, é o alvo preferido dos ataques. Tudo porque, ao contrário dos outros postulantes, ele apresenta uma postura sincera (e escrachada) frente ao desafio de exercer um mandato parlamentar. Ele se mostra como um cara que não sabe o que faz um deputado federal e que pretende ser eleito para ajudar os mais necessitados, inclusive (e principalmente) a família dele. Uma coisa que, cá para nós, sem tirar nem pôr, todo político faz. Via de regra, é bom que se diga, praticamente nenhum dos eleitos para a Câmara de Vereadores, a Assembleia Legislativa, a Câmara Federal e o Senado sabem exatamente qual é a atribuição de um parlamentar. Se sabem, merecem ainda mais críticas que Tiririca, pois não botam em prática. Afinal, as casas legislativas funcionam como um apêndice dos Executivos, servindo unicamente para obedecer ordens.
A primeira evidênciade que o Poder Legislativo está falido é que ele não fiscaliza o trabalho do Executivo, como originariamente deveria fazer. Em geral, quem está no poder tem a maioria dos deputados e vereadores na mão, atraídos por um punhado de cargos para apaniguados e, não raro, por mensalões pagos por debaixo dos panos. O resultado disso é que eles estão sempre dispostos a “brigar” em nome do governante e, de quebra, aprovar todos os projetos, por prejudiciais e esdrúxulos que sejam. Fiscalizar, então, é uma piada. O resultado disso foi mostrado pela pesquisa do Instituto Diário Data Associados. De acordo com os dados coletados, menos de 10% da população se acha bem representada pelos parlamentares nas casas legislativas. Mas isso não é tudo: mais de 60% dos eleitores não lembram, sequer, em quem votaram na última eleição e a uma semana do pleito (quando foi feita a pesquisa), a maioria não tinha candidato. Cá para nós, há dúvidas de que elegendo um palhaço estaremos pior representados.
Chaga I
O secretário do Tribunal de Contas da União (TCU) e presidente do Focco, Rainério Rodrigues, disse ontem que as emendas parlamentares são uma chaga na política nacional. Em muitos casos, abrem caminho para desvios de recursos.
Chaga II
Alguns parlamentares, inclusive, segundo Rainério, cobram comissões pela liberação dos recursos. O secretário do TCU reforçou a informação lembrando que foram imputados débitos de R$ 100 milhões contra gestores mal-intencionados nos últimos oito anos.
Aposta
Os candidatos ao governo terão hoje a última oportunidade para a apresentação de propostas no guia. Algumas fontes ligadas ao candidato à reeleição, José Maranhão (PMDB), asseguram que as inserções serão fechadas com chave de ouro. Vamos esperar.
Sem aulas
A partir de hoje, os alunos das escolas públicas que servirão para acomodar as seções eleitorais já estarão sem aulas. As atividades só serão retomadas no dia 4 de outubro, dia seguinte ao pleito.
Overdose
Os eleitores que acharam estranho a exibição seguida de quatro inserções de Luiz Couto no guia eleitoral, se preparem para amanhã. O espaço destinado ao PT terá oito mensagens de Couto, que ganhou na Justiça o direito de aparecer sem a logomarca de José Maranhão.
Brincadeira
O candidato ao governo, Chico Oliveira, confirmou ontem que a voz na gravação dizendo que o PCB recebeu R$ 400 mil para manter a ação que resultou na cassação de Cássio Cunha Lima é mesmo dele. Mas o postulante remenda: “foi uma brincadeira”.
Apague a luz
O deputado estadual Pedro Medeiros conseguiu sintetizar como poucos o sentimento hoje reinante dentro do PSDB, ao anunciar a desfiliação da legenda após as eleições. A queixa é que o partido não se entende, dividido na briga entre Cássio Cunha Lima e Cícero Lucena. Pior: está longe do poder.


