Ficha Limpa em apuros
terça-feira, 29 de março, 2011 por Suetoni Souto Maior às 21:41
Os homens que fazem a Suprema Corte brasileira precisam sentar, conversar longamente e se entender de uma vez por todas em relação à aplicação da Lei Ficha Limpa. O dispositivo, fruto de um projeto de iniciativa popular, não resistiria a mais uma contenda jurídica do porte da desencadeada em pleno período eleitoral, em 2010. Ninguém, nem mesmo os ministros, pode negar que a corda em relação à aplicação ou não da legislação foi esticada em demasia. Uma verdadeira aberração jurídica. Milhares de pessoas, como no caso da Paraíba, foram às urnas sem saber se seus votos iriam valer. Afinal, depois das urnas, numa votação indireta, apenas onze cavalheiros dariam o veredicto final. Foi tanta celeuma que o próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e membro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, disse não ter mais certeza sobre a validade dela para 2012. Um princípio que gera insegurança jurídica para o novo pleito a pouco mais de um ano de ele ocorrer.
E vamos ser justos. A validade da lei para 2010 era mesmo contestável, pelo risco de se ferir a Constituição em um dos seus princípios mais basilares – o que assegura à legislação eleitoral uma vacina contra os modismos instantâneos. Por esse ângulo, fazer valer projetos aprovados no ano de uma eleição seria por demais perigoso. Mas daí a se jogar no lixo uma lei que já tem surtido os seus efeitos, pelo risco de inelegibilidade de oito anos para políticos corruptos, já é um pouco demais. Lewandowski disse temer que a lei seja contestada em cada um dos seus dispositivos, gerando uma espécie de desmonte. O ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Nominando Diniz, disse certa vez, em conversa com o blog, que para um político profissional, ser impedido de disputar uma eleição funciona como um castigo maior que a devolução do dinheiro fraudado. A Ficha Limpa, portanto, possui esse efeito inibidor da corrupção. Justamente por isso, não pode ser jogada aos cães.
Violência
O senador Vital do Rêgo (PMDB, foto) denunciou na tribuna do Senado Federal que o número de homicídios na Paraíba cresceu 158% entre os anos de 2001 e 2009. No período, houve a dobradinha PMDB/PSDB no poder.
Interiorização
No discurso, Vitalzinho alertou às autoridades sobre o fenômeno da interiorização da violência no país. O que, segundo ele, marcou a nova geografia do crime, instaurando novos desafios à política nacional de segurança pública. Os constantes arrombamentos de bancos com explosivos são uma prova disso.
Candidato
O rosário de pré-candidatos à prefeitura de João Pessoa parece não ter fim. Ontem, o deputado estadual Aníbal Marcolino (foto) revelou sua pretensão de disputar o pleito pelo PSL. O primeiro desafio do parlamentar será convencer o presidente do partido, Tião Gomes.
Termoelética
O Ministério Público Federal recomendou ontem que a Sudema suspenda a licença prévia e a licença de operação de usina termoelétrica em Campina Grande (PB). O órgão cobra a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) da obra. A recomendação também foi extensiva à empresa Borborema Energética S/A, responsável pela instalação da usina.
Magoou
O vereador pessoense Tavinho Santos (PTB) não gostou nem um pouquinho da matéria publicada em O Norte sobre os salários dos parlamentares. Segundo a reportagem, os vereadores de João Pessoa têm a hora trabalhada 110 vezes mais cara que a de um assalariado e muitos sequer comparecem às sessões. E não é verdade?
Alencar
A morte do ex-vice-presidente José de Alencar (PRB) foi bastante lamentada por diversos políticos paraibanos. Megaempresário, Alencar ajudou Lula, um ex-operário, a chegar ao cargo de presidente da República.
Cooptação
Vem de longe as especulações sobre as possíveis adesões de Trocolli Júnior, Gervásio Maia e Arnaldo Monteiro à base governista, na Assembleia. Pelo discurso fervoroso contrário ao governo feito por Arnaldo, ontem, na Comissão de Orçamento, é difícil esperar que ele esteja neste barco. Até porque se os adesistas são assim, imagine os opositores…
Compartilhe este post: 





















