Perto de completar um ano, a determinação feita pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) às prefeituras municipais, sobre a demissão dos prestadores de serviço, ainda não emplacou no estado. Das 223 cidades paraibanas, apenas 44 fizeram cortes no quadro de pessoal e somente um município extinguiu os cargos sem concurso público. Em alguns casos, as contratações até aumentaram entre janeiro e novembro de 2010.

Apenas um gestor municipal seguiu integralmente a orientação feita pelo procurador Oswaldo Trigueiro do Valle. Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press |
Os dados estão registrados no Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres) do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e revelam que as prefeituras insistem em manter os contratos sem vínculo empregatício, apesar da recomendação do MPPB. Em Bayeux, por exemplo, o quadro de funcionários caiu de 1.277 efetivos para 1.239, entre janeiro e novembro do ano passado, em contrapartida, a contratação por excepcional interesse público saltou de 441 para 1.076, no mesmo período.
Em João Pessoa, a diferença entre a folha nos dois meses é de quase 25% paramais. Na capital, tanto o número de funcionários efetivos quanto o de comissionados se mantiveram praticamente iguais, enquanto os cargos de alta necessidade pularam de 5.835 para 8.629. O prefeito Luciano Agra (PSB), enfatizou que ainda não tem condições de dispensar os prestadores sob risco de interromper serviços essenciais. Uma situação que parece se repetir em todo o estado.
No município de Quixaba, por exemplo, se a prefeitura tivesse seguido a recomendação, a cidade não teria mais nenhum servidor. Isto porque em janeiro do ano passado só havia 22 funcionários, sendo um cargo comissionado e outros 21 contratados pelo termo conhecido com “excepcional interesse público”. A situação da cidade mudou apenas no mês de outubro quando foram contratados 104 servidores efetivos, e outros 119 entraram na folha de pagamento sem concurso.
Mesmo nas cidades onde houve redução do número de servidores, o cumprimento da decisão não é uma regra, já que em boa parte dos casos, a diminuição ocorreu no quadro efetivo, em virtude de aposentadorias ou exonerações. Apenas em Santa Rita a situação parece diferente. Segundo dados do Sagres, a prefeitura conseguiu manter apenas os efetivos e os cargos comissionados, e não mantém contratação por excepcional interesse público.
Situação diferente da registrada em Campina Grande onde o número de funcionários diminuiu, mas a folha de pagamento não acompanhou o ritmo e ficou mais elevada. Os contratos para suprir a urgência das vagas se tornaram menos frequentes, bem como os cargos comissionados. Ainda assim, a Prefeitura ainda mantinha, até novembro, 806 funcionários sem concurso público. Segundo estimativa do Tribunal de Contas do Estado, no período da recomendação as prefeituras paraibanas mantinham em suas folhas de pagamento 28.885 prestadores de serviço.
Folha quase dobra em alguns municípios do estado
A cidade de Guarabira, no Brejo paraibano, é a que apresenta um dos casos mais curiosos. Apesar de ter enxugado o quadro de funcionários (de 1.309 para 1.290), a despesa do município com a folha de pagamento passou de R$ 1.232.785,10 para R$ 1.265.041,67 entre janeiro e novembro, mesmo após o número de servidores efetivos ter sido reduzido em 3%.
Já em Araruna, Aroeiras, Itapororoca e Nova Olinda a folha de pagamento cresceu consideravelmente entre o início e o fim do ano passado. É importante destacar que em algumas detas cidades houve contratação de servidores efetivos, mas que os cargos comissionados e as contratações por excepcional interesse público também tiveram destaque no período. Em Araruna, a folha cresceu 77% entre janeiro e novembro.
Em Itapororoca, por exemplo, a despesa subiu mais de 57% e os servidores efetivos foram substituídos pelos contratados por “excepcional interesse público”. No município de Aparecida, a folha quase dobrou, de 200 funcionários em janeiro saltou para 381 em novembro. Ogasto com o pagamento também cresceu no mesmo período de quase R$ 148 mil para R$ 342 mil. A explicação, neste caso, está no número de funcionários efetivos, que foi ampliado.
Há cidades, contudo, onde a despesa com a folha foi reduzida. É o caso dos 44 municípios onde pelo menos um funcionário foi desligado do quadro da prefeitura municipal. As dispensas mais expressivas ocorreram em Amparo, Caaporã, Juazeirinho, Lagoa, Pedra Lavada e Poço de José de Moura. Em outras três cidades a folha se manteve a mesma: Areia de Baraúnas, Cajazeirinhas e São José do Bonfim não alteraram o quadro de funcionários, mas na primeira o gasto com pagamento aumentou, enquanto nas seguintes as despesas diminuíram.
Gestores poderão ser processados por improbidade
Apesar da determinação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) para demissão dos prestadores de serviço nos municípios, os dados mostram que poucos estão respeitando a decisão. Para fiscalizar o cumprimento, 70 promotores de Justiça trabalham no intuito de apurar cada caso. De acordo com o coordenador da Comissão, promotor Carlos Romero, a previsão para que os trabalhos de levantamento e cruzamentos de dados sejam finalizados até o próximo mês.
Só após essa primeira etapa é que o Ministério Público vai analisar quais foram os municípios que demitiram os prestadores e aqueles que justificaram a permanência funcionários por estarem ocupando funções de emergência. Ainda há os casos em que as prefeituras não cumpriram ou ofereceram qualquer justificativa. Como punição, o órgão pode abrir uma ação penal ou uma ação de improbidade administrativa contra as prefeituras que se mantiverem irregulares.
Mesmo assim, na avaliação do procurador-geral de Justiça da Paraíba, Oswaldo Trigueiro, a ação está sendo positiva e já começou a dar bons resultados. “Hoje somos o estado que mais tem ofertas de vagas no setor público (nos municípios), por isso, foi muito importante a adesão de vários prefeitos”, enfocou. O procurador lembrou os casos de cidades como Catolé do Rocha, Santa Rita e Cabedelo, que abriram vagas para efetivos. “A ação do Ministério Público deu o respaldo necessário para o caminho da legalidade”, comemorou.
Além destas, outras localidades, especialmente do interior do estado, também realizaram concursos públicos e estão na fase de convocação dos aprovados.
Do jornal O Norte