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Opinião: Carreata é desrespeito

A legislação eleitoral brasileira precisa ser revista o mais rápido possível para acabar com uma prática tão irritante e inútil quanto eram os showmícios, hoje proibidos. Trata-se das carreatas. Uma ferramenta de campanha que, vamos combinar, não traz qualquer ganho para a democracia. E o cidadão, que paga impostos e não tem nada a ganhar com essas mobilizações, como ocorre com os militantes políticos, sabe bem disso. As manifestações possuem o único propósito de demonstrar que o candidato está bem na fita ou tem muito dinheiro para torrar ou as duas coisas ao mesmo tempo. Além disso, nada de produtivo. Em uma carreata não são apresentadas propostas, o eleitor não é ouvido e o script do candidato não tem outro papel a não ser o de se mostrar como o fulano que possui maior perspectiva de poder. Ter o maior número de carros e adesivos para serem distribuídos, neste caso, vale muito mais e talvez renda mais votos que as propostas, que deveriam ser apresentadas.

Mas esse é apenas um pequeno detalhe. Tem coisa pior. As carreatas provocam congestionamentos quilométricos, fazendo com que o cidadão, querendo ir para casa, fique preso na estrada – em alguns casos por horas. De quebra, ainda tem toda sorte de crimes de trânsito, com motoristas bêbados (e chatos), motoqueiros pilotando sem o capacete, gente pendurada de tudo o que é jeito nos carros e autoridades policiais e de trânsito coniventes com tudo isso. Enfim, todo tipo de irregularidade. Como se o descumprimento das leis de trânsito fosse pouco, ainda tem os carros de som, com uma poluição sonora que achincalha com as leis ambientais. É, sem dúvida, o “inferno de Dante”, tal qual o descrito na Divina Comédia. Isso sem falar em práticas comuns como a distribuição de combustíveis, vedada por lei, mas largamente praticada. Os showmícios foram proibidos por perturbar a vizinhança. As carreatas perturbam uma cidade inteira ou várias delas. É hora de dar um basta.

Mágica

As duas parciais da prestação de contas dos candidatos demonstram um fato curioso: eles gastaram bem mais do que arrecadam na campanha política. Cássio Cunha Lima (PSDB), por exemplo, tem déficit de R$ 500 mil.

Omissão

Além dos candidatos que declararam gastos de R$ 17 milhões à Justiça Eleitoral, um grupo formado por 123 postulantes não prestou contas. Entre eles estão os candidatos ao governo Chico Oliveira (PCB) e Marcelino Rodrigues (PSTU).

Mágica

O candidato ao governo Nelson Júnior (Psol) declarou arrecadação de R$ 600, doados por ele mesmo. Entretanto, disse não ter gasto um único centavo, mesmo com guia eleitoral no ar e campanha na rua. É mágica?

Pede pra sair

Alguns aliados do candidato ao governo, Ricardo Coutinho (PSB), estão se preparando para a campanha “Ei, Duda, pede pra sair”. É a ofensiva contra o caríssimo publicitário baiano, Duda Mendonça, que não disse até agora a que veio.

DilmaFacts

Virou mania no Twitter as frases com uma sátira às manchetes desfavoráveis à presidenciável Dilma Rousseff. Para conferir, é só ir para a área #DilmaFactsByFolha. A mais original diz que “Dilma inventou a segunda-feira”.

Binóculo

Os presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas, definitivamente, não virão à Paraíba. Dilma Rousseff quer distância da confusão entre Ricardo e Maranhão. Serra posa de ficha limpa e só vem quando e se Cássio se livrar da pendenga no TSE. Marina não teria nem quem possa buscá-la no aeroporto.

Mau exemplo

Levantamento da ong Transparência Brasil coloca a Assembleia Legislativa da Paraíba como a menos transparentes do Brasil. Ninguém sabe informar quem são os deputados mais gazeteiros, por exemplo. Se a AL se comporta assim, imagine as câmaras.

Do Blog do Suetoni, reproduzido no jornal O Norte de hoje

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