PF diz que é quase impossível impedir a venda de votos
sábado, 31 de julho, 2010
A situação é realmente preocupante. Apesar das campanhas de conscientização e da maior fiscalização da Justiça Eleitoral, é praticamente impossível coibir a compra de votos nas eleições da Paraíba. A convicção é do delegado da Polícia Federal, Derly Brasileiro, encarregado das investigações dos crimes eleitorais no estado e que participou do programa Entrevista Coletiva, que vai ao ar neste domingo, à noite, pela TV Clube (Band).
Sem meias palavras, o delegado deixou claro que a dificuldade para se detectar o crime ocorre pelo fato de ele contar com a conveniência dos dois lados (o corrompido, eleitor, e o corruptor, político). “Não há inocente neste processo”, desabafou o delegado, que relatou nesta semana o centésimo inquérito ainda referente às eleições municipais de 2008. Derly foi além e destacou o caráter cultural da venda de votos, principalmente nos municípios do Sertão.
O delegado classificou em quatro os tipos de votos registrados na Paraíba: o primeiro e menos comum é o consciente, dado geralmente pelas pessoas mais esclarecidas. Tem ainda o circunstancial, que é o de quem se define de última hora; o conseguido através de favores (concessão de empregos, por exemplo), e o dado por quem vendeu o voto. A entrevista com Derly é imperdível.



